Casa 109

Tipo: Construção de habitação unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Vagos, Portugal
Estado: Em construção
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: César Pereira, Ana Rita Luís
Data de Projeto: 2016-2017
Data de Construção: 2018 – a decorrer
Área do Terreno: 1300 m2
Área de Implantação: 350 m2
Área Bruta de Construção: 700 m2

Esta moradia unifamiliar será implantada num terreno que confronta uma das artérias de maior referência do concelho e que dá o nome ao projeto, nomeadamente a Estrada Nacional 109.
Desta forma e, uma vez que se trata de um uso habitacional, a peça arquitetónica protege-se desta artéria e propõe materializar-se num corpo uniforme que, através da sua forma e disposição, se abriga e salvaguarda da movimentada estrada.
A moradia isolada tem a fachada principal perpendicular ao arruamento, de forma contrastante à realidade pré-existente. Desta forma, a fachada frontal perde importância tornando-se cega, sendo criado um espaço verde de transição/proteção entre esta e o arruamento, que permitirá uma maior privacidade ao logradouro verde do interior lateral do terreno, devidamente resguardado e protegido.
A vivenda segue a continuidade das construções existentes, com a fachada frontal alinhada com a da vivenda anexa garantindo, também, o enquadramento com as cérceas do espaço já consolidado. Contudo, ao mesmo tempo que esta fachada recua em relação ao limite do passeio público é criado um espaço verde de proteção à poluição, quer sonora, quer ambiental, causada pela artéria confinante, garantindo a dignidade e salubridade necessárias ao uso pretendido.

Já no interior, o momento de entrada, realizado discretamente pelo lado norte, é celebrado por uma contemplação ao exterior a sul, sendo esta garantida por um envidraçado de nascente a poente, que abraça grande parte da fachada sul do edifício e que se orienta de forma perpendicular à artéria confinante.
Assim, a peça arquitetónica, assumidamente horizontal, garante um logradouro lateral. Este apresenta uma largura capaz de satisfazer as necessidades que se impõem, desenhando-se como zona verde para lazer. Todos os compartimentos se voltam para este importante logradouro, ignorando todas as restantes possibilidades de orientação, nunca tão favoráveis relativamente à luz natural que proporcionam.
O espaço interior lê-se como um open-space, que se abre ao exterior através de um grande envidraçado, prolongando-se até ao contínuo alpendre a sul. Este espaço, assumidamente aberto e uniforme, assume as vistas para o exterior verde, já protegido da EN 109. Deste modo, é, então, assegurada a sensação de um só espaço interior, com pé-direito regular, no qual os espaços são articulados entre si, sempre de forma paralela ao alpendre.
O edifício, em forma curva, garante a devida proteção aos ventos no alpendre, ao mesmo tempo que certifica uma maior profundidade do logradouro no eixo da habitação.
Todos os compartimentos vislumbram o logradouro através do alpendre no piso térreo ou de uma varanda conjunta, no piso superior, elementos que proporcionam uma fachada uniforme e permitem que o volume se estenda para além dos seus vãos, sempre de forma homogénea.
Esta fachada horizontal, tal como é assumido na planta, deixa que o piso superior se eleve e se destaque, através do recuo dos limites do seu corpo no piso térreo, composto por paredes em betão que, conjuntamente com o grande envidraçado, se distinguem do branco incontornável da guarda e platibanda do corpo superior.
A peça simples e sólida, pretende assumir-se como uma resposta critica à intervenção em terrenos confinantes às estradas nacionais, devolvendo o uso de espaço exterior livre, que estes terrenos supostamente não permitem.