Casa Vermelha

Tipo: Construção de Habitação Unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Vagos, Portugal
Estado: Projeto concluído
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: Ana Soares, Ana Rita Gomes
Data de Projeto: 2019 – 2020
Data de Obra: A decorrer
Área do terreno: 640 m2

Esta moradia insere-se numa zona consolidada maioritariamente habitacional e com baixa densidade de ocupação, nos arredores da cidade de Vagos.
Implantada num gaveto, preocupámo-nos em salvaguardar a devida proteção e privacidade aos seus habitantes. Desta forma, desenha-se num volume geométrico simples, de planta quadrada, numa forma austera de corpo isolado, afastando-se dos limites do terreno, onde todos os espaços da habitação são organizados num só edifício.

Apesar de ter limites bem definidos, e aparentemente estáticos, a peça arquitetónica é rasgada por um vazio vertical – o pátio verde – que se insere dentro dos limites visíveis do edifício e para onde todos os espaços interiores se voltam.
Este é o prolongamento do interior, proporcionando usos diferenciados graças à multiplicidade de ambientes cobertos e descobertos, zonas impermeáveis e permeáveis, assim como à presença de vegetação e de um espelho de água.
Este vazio é protegido pelos planos que delimitam o volume do edifício.
Esta envolvência (“abraço”) garante a devida proteção ao pátio sem, com isso, bloquear a relação visual com a via pública, já que estes planos são perfurados, garantindo um discreto atravessamento das vistas e da luz.

Com um programa simples, e de reduzidas áreas, o edifício admite dois pisos, um acima da cota da soleira e um abaixo.
O piso em cave destina-se a garagem, com estacionamento para três viaturas, um arrumo e uma casa de máquinas. O piso térreo distribui-se em forma de L, com um dos “braços” a receber as áreas comuns das salas e cozinha em open-space, na transição entre os “braços” encontram-se o hall de entrada e as áreas técnicas e já no segundo “braço” organizam-se as áreas privadas, com dois quartos e uma instalação sanitária comum.

Trata-se de uma moradia simples e fortemente dedicada à sua envolvência – o núcleo exterior.
A sua materialidade é marcada pelo seu total revestimento com tijolo de barro, de face à vista, e de cor vermelha, tanto nos panos verticais das fachadas, como nos pisos exteriores.
Este material, feito de materiais naturais e com métodos tradicionais, é uma analogia à terra e, por conseguinte, à natureza, algo fortemente desejado pelos clientes.
A perfuração das fachadas que encerram o pátio central, em contraste com o alto relevo das restantes fachadas, conseguido através da eliminação de tijolos e a alteração da orientação de outros, respetivamente, configuram detalhe e alternância de imagem entre as fachadas, rompendo com a invariabilidade formal do edifício.

O volume faz parte de um conjunto onde a natureza faz parte do processo de projeto, é objeto de arquitetura.
Não só pelo material de que se reveste, mas ainda pelo uso da vegetação, estrategicamente localizada para servir diferentes necessidades espaciais, tais como as coberturas ajardinadas, que configuram equilíbrio energético; o jardim arborizado que envolve o edifício de Sul a Poente, protegendo-o da via pública, ou o espelho de água do pátio, que cria um microclima refrescante, em contraste com a forte exposição solar da área da piscina.
O acesso principal ao edifício, faz-se do lado Poente, num piso impermeável que culmina na rampa de acesso ao piso em cave. Do lado Sul, abre-se um acesso secundário, apenas pedonal, para servir esporádicos eventos na zona da piscina.