Casa Peixe

Tipo: Alteração de habitação unifamiliar
Localização: Aveiro, Portugal
Estado: a decorrer
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: Jéssica Barreto, Ana Soares, Ana Rita Gomes
Data de Projeto: 2018-2022
Data de Obra: a iniciar
Área do Terreno: 97 m2

Área de Implantação: 73 m2
Área Bruta de Construção: 130 m2

Autor do Projeto Original: Desconhecido
Artista 3D: Tiago Vieira da Silva

A Casa Peixe faz-nos reflectir sobre a cidade e os seus elementos distintos, que estão intrinsecamente ligados entre si, pois lemos a cidade como se se tratasse de um palimpsesto urbano que marca e narra diferentes memórias e histórias. Localiza-se no bairro pitoresco da Beira-Mar, que faz parte da malha urbana densa, de ruas estreitas e casario em banda do centro histórico de Aveiro, sendo as fachadas maioritariamente revestidas a azulejos de composição ritmada e colorida. A envolvente é uma zona de interesse histórico e arquitectónico, com proximidade à Capela e o Largo de São Gonçalinho e à Praça do Peixe.

Assim, e inserida numa estrutura arcaica, a nova proposta representa o desejo da habitabilidade contemporânea, sugere a evolução da técnica e incentiva o respeito pelo contexto histórico e social. Devido à sua proximidade e alinhamento visual com a Capela de São Gonçalinho, é fundamental entendê-la como parte de um todo. A proposta desenvolve-se numa peça homogénea, um só corpo longitudinal, que acompanha a forma do lote refletindo-se numa moradia em banda. Propõe-se a construção de um espelho de água descoberto a ocupar a totalidade do logradouro.

Mantém-se a característica de três plantas, sendo a organização interior alterada significativamente relativamente ao desenho original. Foram demolidas grande parte das compartimentações existentes no piso 0, garantindo um espaço em open space para uso comum, um pé-direito duplo na área da sala de jantar e pé-direito triplo na área de espelho-de-água/aquário no solo interior, que alinha com o saguão que agora se propõe de maior dimensão. No piso 1 e 2 organizam-se as áreas privadas dos quartos.

O respeito pela zona de intervenção, faz com que a intervenção no alçado frontal seja subtil garantindo harmonia com a sua envolvente. Propõem-se a remoção dos azulejos aplicados ilegalmente e desprovidos de qualquer valor e sugere-se a aplicação de reboco, pintado à cor branca.
A intervenção mais significativa é feita no alçado posterior, onde se desenha um elemento leve sobre o grande envidraçado que reveste a totalidade daquela fachada – uma estrutura em alumínio formada por pequenos elementos em forma de escama, uma alusão à imagem do peixe – temática associada à vida profissional do Dono da Obra.

É uma segunda pele, permeável, que permite ocultar e vislumbrar ao mesmo tempo, ou simplesmente abrir-se para permitir à moradia a relação direta com o seu pátio espelho-de-água. Assume uma linguagem contemporânea e impactante.
As escamas agrupam-se formando um todo. São abertas no seu núcleo para permitir permeabilidade e opacas no alinhamento das lajes de piso, para definir escala ao edifício, revelando as suas alturas interiores e relacionando-se com a altimetria do edificado vizinho. Serão executadas em alumínio lacado a branco mate, de dimensão 20cm x 20cm, à semelhança da escala dos azulejos aplicados nas fachadas da zona histórica onde se insere o edifício. A opção cromática surge da intenção de dar ênfase ao detalhe da composição formal.
A cobertura do edifício mantém-se inalterada, em telha cerâmica tradicional, à cor natural, à exceção do vão do saguão que se aumentou para iluminar o negativo interior que culmina no aquário inserido no piso 0.