Casa do Carmo

Tipo: Construção de habitação unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Gafanha do Carmo, Portugal
Estado: A decorrer
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: Daniel Antunes

Data de Projeto: 2025
Área do Terreno: 472,4 m2
Área de Implantação: 123,5 m2
Área de Construção: 151,5 m2
Artista 3D: Alan Costa

A moradia propõe-se isolada, num volume monolítico de forma retangular, com um só piso acima da cota da soleira, não prevendo qualquer construção anexa.
Edificada num terreno com uma profundidade máxima de 25,82 m, mas cuja largura não suportava a pretensão programática, propõe-se que o edifício seja disposto longitudinalmente ao terreno.
Trata-se de uma casa compacta, onde a distribuição programática é coesa para se concentrar no essencial do conforto familiar.
O acesso principal faz-se desde o muro confinante com a via pública, por onde se faz o acesso pedonal e de viaturas, recebendo os dois estacionamentos privativos descobertos na parte frontal do terreno.

A forma do edifício procurou vincular os interiores com o entorno exterior, garantindo uma área de maior exposição envidraçada na lateral sudeste do terreno, para maior aproveitamento da exposição solar. Desta forma, o edifício admite uma distância mínima à estrema sudeste de 4,1 m  para salvaguardar um logradouro útil na zona soalheira, garantindo o encontro dos espaços interiores com a pretensão do contíguo exterior.
Do lado noroeste a distância mínima à estrema é também de 4,1m, para salvaguardar um confortável estacionamento descoberto e ainda a implantação das sebes vivas limítrofes.
Esta moradia tem a pretensão de se estender para além dos seus limites interiores, abraçando os espaços exteriores como um só, útil e contíguo.

Fá-lo através de pérgolas de madeira que se estendem desde uma estrema lateral do terreno à outra estrema lateral, atravessando a moradia pelo interior, onde se consegue ver a estrutura de vigas de madeira no teto da área social (salas e cozinha).
Estas pérgolas dão forma a esta relação interior-exterior, desenhando a noroeste a proteção a um dos estacionamentos exteriores privativos, e a sudeste a proteção solar ao longe exterior, que recebe a área de churrasqueira e de mini horta.
Estes são elementos intersticiais, que permitem ao objeto arquitetónico evoluir na relação forma/uso, de acordo com a necessidade.
A premissa é simples: salvaguardar que a moradia encontre espaços exteriores confortáveis e protegidos, sem com isso criar áreas cobertas exageradas, não comprometendo assim a área bruta de construção e consequentemente os custos de obra.
As pérgolas poderão receber vegetação tipo trepadeira, que potenciarão a relação desta moradia com o espaço exterior natural. O uso da matéria madeira no exterior tem de facto essa pretensão, de salvaguardar a devida ligação desta pequena moradia urbana com o ambiente rural com que os titulares se identificam.

A materialidade é marcada por um volume branco, pontualmente revestido a réguas de madeira que fazem a ligação ao material das pérgolas. A simplicidade cromática é acentuada, já que a pretensão é deixar o entorno verde ganhar destaque.
É, por isso, um edifício simples e estrategicamente distribuído para salvaguardar conforto e proximidade, sem com isso abdicar do usufruto de uma boa exposição solar interior e exterior, assim como da desejável relação dos interiores com o seu entorno ajardinado.