Loft XIX

Tipo: Alteração e ampliação de empreendimento turístico
Cliente: Privado
Localização: Mira, Portugal
Estado: A decorrer
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: Cristina Paião, Daniel Antunes, Sara Garcia

Data de Projeto: 2024
Data de Construção:
Área do Terreno: 1 302,2 m2
Área de Implantação: 353,2 m2
Área Bruta de Construção: 669,6 m2
Artista 3D: Alan Costa

O projeto prevê a intervenção num palacete residencial, construído em finais do séc. XIX, no concelho de Mira, Distrito de Coimbra.
O seu novo uso contempla um Empreendimento Turístico vocacionado para negócios dada a sua proximidade com 3 zonas industriais. Desenvolve-se em 11 unidades de alojamento de tipologias variadas (T0, T1 e T2).
A proposta baseia-se nos fundamentos da análise espacial – o espaço, a luz, a escala e a materialidade. Configuram-se experiências articuladas através do desenho, na dicotomia entre passado e presente.

Assim, propõe-se a demolição das construções anexas, que se consideram desprovidas de qualidade, devolvendo valor, identidade e imponência ao palacete. Desenham-se dois novos volumes, em forma de “L”, e um pátio central que é delimitado pelo conjunto arquitetónico e por uma estrutura metálica (lâminas verticais), que permite o suporte de vegetação e funciona como barreira física e visual, garantindo a devida privacidade ao pátio. A nova composição arquitetónica e paisagística é obtida através do jogo de fragmentação, de cheios e vazios e a escolha de materialidade e matiz. O pátio é o elemento de transição, união e convergência. A sua poética e intimidade estabelecem-se reconhecendo os elementos paisagísticos e a sua devida integração, que complementam a composição. Surge como expressão simbólica, repensando a funcionalidade e tornando-o como espaço comum e preferencial para o convívio e diálogo entre os utilizadores do empreendimento.

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O acesso principal é simultaneamente automóvel e pedonal. Faz-se pelo extremo sul da fachada frontal cujo percurso guia o utilizador até ao pátio ou estacionamento (situado na cota mais baixa do terreno). Diferentes caminhos de circulação, de mobilidade fluida e livre, convergem ao pátio central, tornando-o como “anfitrião” e elemento de ligação.
É desde o pátio que se desenvolve a distribuição programática, nomeadamente o acesso ao edifício principal, o palacete, através de um grande vão onde se encontra o lobby. No seu interior encontra-se a escada pré-existente, em caracol, um exemplar belissimamente ornamentado ao estilo da época em que foi construído. Organizam-se os apartamentos, do piso 1 e do piso 2, e espaços técnicos. Nos novos volumes arquitetónicos, o acesso aos apartamentos é feito diretamente na área do pátio central ou através da escada exterior metálica.
À exceção do apartamento que se volta totalmente para a via pública e que usufrui da varanda assim como dos vãos mais nobres, todas as restantes unidades de alojamento têm vistas para o pátio e espaço verde, dignificando o interior dos apartamentos.

A imagem é conseguida pela metáfora espacial e material dos diferentes encontros entre passado e presente. A autenticidade e força poética do palacete explica a sua própria história e posiciona-se num diálogo com a nova envolvente.
A intervenção no palacete é cuidada e mantém o alçado frontal quase inalterado, respeitando e evidenciando as suas características estilistas da época – a escolha da cor da época (bege) e o cuidado na recuperação dos detalhes estilísticos como o ferro forjado e trabalho de cantaria. No alçado posterior será aberto um grande vão, da totalidade da largura do lobby, evidenciando o acesso principal e contemplando uma melhor relação visual entre o interior e o exterior. Os restantes mimetizam a proporção dos vãos existentes.
A imagem dos novos volumes é marcada pela composição vertical, de métrica regular, que permite quebrar o ritmo longitudinal.

A essência do lugar é um exercício complexo que integra a recordação do passado e a análise do contexto. Essa interdependência confere ao Loft XIX a sua identidade que se pretende vinculativamente articulada com a experiência do lugar. Assim, a decoração interior tem como inspiração a antiga fábrica dos “pirolitos”, que esteve instalada no edifício pré-existente desde 1960 até 1984. Adapta-se essa temática, tornando-a agente de identificação e personalização do espaço, num gesto de recordação de um negócio típico da segunda metade do séc. XX em Portugal e que faz parte da memória coletiva do lugar.