Casa Peixe

Tipo de Obra: Alteração de Habitação Unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Aveiro, Portugal
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa Licenciamento Arquitetura: Cristina Paião e Daniel Antunes
Equipa Execução Arquitetura:
Especialidades: Pedro Tavares
3D: Alan Costa
Data de Projeto: 2026
Data de Construção:
Área do Terreno: 97 m2

Área de Implantação: 173 m2
Área Bruta de Construção: 183 m2
Fotografia:

A Casa Peixe faz-nos refletir sobre a cidade e os seus elementos distintos, que estão intrinsecamente ligados entre si, pois lemos a cidade como se se tratasse de um palimpsesto urbano que marca e narra diferentes memórias e histórias.
Localiza-se no bairro pitoresco da Beira-Mar, que faz parte da malha urbana densa, de ruas estreitas e casario em banda do centro histórico de Aveiro, sendo as fachadas maioritariamente revestidas a azulejos de composição ritmada e colorida. A envolvente é uma zona de interesse histórico e arquitetónico, com proximidade à Capela e o Largo de São Gonçalinho e à Praça do Peixe.

Assim, e inserida numa estrutura arcaica, a nova proposta representa o desejo da habitabilidade contemporânea, sugere a evolução da técnica e incentiva o respeito pelo contexto histórico e social. Devido à sua proximidade e alinhamento visual com a Capela de São Gonçalinho, é fundamental entendê-la como parte de um todo do seu contexto urbanístico. Essa é a evolução e o processo dinâmico da cidade, que dá continuidade à sua forma e função.
A proposta desenvolve-se numa peça homogénea, um só corpo longitudinal, que acompanha a forma do lote refletindo-se numa moradia em banda. Propõe-se a execução de um pátio descoberto a ocupar a totalidade do logradouro, com um pequeno canteiro verde de remate e pontuação visual.

Mantém-se a característica de três plantas, sendo a organização interior alterada significativamente relativamente ao desenho original. Foram demolidas grande parte das compartimentações existentes no piso 0, garantindo um espaço em open space para uso comum no piso 1, do lado do logradouro e com franca relação com este. No piso 1 e 2 organizam-se as áreas privadas dos quartos.
O respeito pela zona de intervenção, faz com que a intervenção no alçado frontal seja subtil garantindo harmonia com a sua envolvente. Propõem-se a remoção dos azulejos aplicados ilegalmente e desprovidos de qualquer valor e sugere-se a aplicação de um novo azulejo, em forma de escama verde-água, alusivo à temática do edifício e da sua envolvente – o Bairro da Beira-Mar.
A intervenção mais significativa é feita no alçado posterior, onde se desenha um elemento leve sobre o grande envidraçado que reveste a totalidade daquela fachada – uma estrutura em alumínio formada por pequenos elementos em forma de escama. É uma segunda pele, permeável, que permite ocultar e vislumbrar ao mesmo tempo, ou simplesmente abrir-se para permitir à moradia a relação direta com o seu pátio. Assume uma linguagem contemporânea e impactante.

As escamas agrupam-se formando um todo. São abertas no seu núcleo para permitir permeabilidade e opacas no alinhamento das lajes de piso, para definir escala ao edifício, revelando as suas alturas interiores e relacionando-se com a altimetria do edificado vizinho. Serão executadas em alumínio lacado a branco mate, de dimensão 20cm x 20cm, à semelhança da escala dos azulejos aplicados nas fachadas da zona histórica onde se insere o edifício. A opção cromática surge da intenção de dar ênfase ao detalhe da composição formal.
A cobertura do edifício mantém-se inalterada, em telha cerâmica tradicional, à cor natural.