Vivenda Cravo

Tipo de Obra: Alteração e Ampliação de Habitação Unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Aveiro, Portugal
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa Licenciamento Arquitetura: Sara Garcia
Equipa Execução Arquitetura: Sara Garcia
Especialidades: Pedro Tavares
3D: Alan Costa
Data de Projeto: 2026
Data de Construção:
Área do Terreno: 550,0 m2

Área de Implantação: 177,6 m2
Área Bruta de Construção: 213,9 m2
Fotografia:

O edifício que se propõe alterar e ampliar, moradia unifamiliar T2+1, faz parte de uma malha urbana consolidada da cidade de Aveiro.
Depois de demolidos os inúmeros anexos, alguns legais e outros ilegais, a moradia pré-existente sofre ainda alterações exteriores, por forma a repor a legalizada de distanciamento à estrema sul.
Este precedente dá-nos a liberdade de atuar naquela fachada e na fachada frontal de forma determinada a solucionar a problemática da iluminação/vistas daquele edifício.
Na fachada frontal é criado um elemento permeável, de proteção visual e sombreamento, que garante a privacidade dos dois quartos envidraçados a poente, mantendo a relação de varanda/alpendre, mas desta vez com uma total renovação do conceito, graças ao cobogó em madeira, cujo desenho é inspirado na forma de agrupação do elemento que marca a materialidade desta intervenção – a telha cerâmica plana.
Assim, esta proposta prevê a substituição da telha sanduiche da cobertura do edifício de habitação, por telha cerâmica plana à cor natural.

O projeto foca na reabilitação e ampliação da pequena casa, celebrando a memória e a identidade através da materialidade. O uso de telha cerâmica plana à cor natural unifica o edificado: reveste o telhado da casa original e prolonga-se para a cobertura e fachadas da ampliação, criando uma linguagem coerente e interligada.
A intervenção assegura a adaptação da habitação às necessidades contemporâneas de conforto e vivência, sem nunca apagar a sua identidade. A escolha por uma estética depurada e pelo uso da telha cerâmica e madeira natural reforçam a ligação à arquitetura vernácula, mantendo a “memória de antigamente” viva e integrada no presente.

A identidade original foi mantida através de opções formais e de uma materialidade autêntica, mas é através da forma que se manifesta também disruptiva, garantindo uma nova harmonia, uma vida nova.
Assim, um pequeno volume envidraçado faz a separação das duas realidades históricas, separando e unindo ao mesmo tempo, passado e futuro, moradia pré-existente e sua ampliação.
A transição é o momento de chegada, de receção, que permite assim a fácil distribuição para a zona social da ampliação nova, ou para a zona privada do corpo pré-existente.

A ampliação recebe não só as zonas sociais como as zonas técnicas, garantindo uma uniformização do conjunto habitacional criado para proporcionar uma vida confortável aos seus habitantes.

O volume ampliado garante uma nova relação com o ambiente exterior, marcando a vivência da área comum como o núcleo que permite a relação interior-exterior de uma forma nunca antes conseguida. Um grande envidraçado permite essa relação franca, depois assegurada por um pátio inicialmente coberto e depois descoberto, que permite, com conforto, uma suave transição para o espaço verde do logradouro.

A nova Vivenda Cravo permite o olhar em frente, ver a luz e sentir a relva, num conforto contemporâneo que nunca se esquece do seu passado.