Casa da Treliça

Tipo: Construção de habitação unifamiliar
Cliente: Privado
Localização: Palhaça, Oliveira do Bairro, Portugal
Estado: A decorrer
Autor do Projeto: Maria Fradinho
Equipa: Daniel Antunes

Data de Projeto: 2024
Área do Terreno: 665,9 m2
Área de Implantação: 185,4 m2
Área Bruta de Construção: 361,9 m2
Artista 3D: Alan Costa

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A Casa da Treliça localiza-se nos arredores de Oliveira do Bairro, na freguesia da Palhaça. Propõe-se um desenho diferenciador, contrário aos edifícios vizinhos, voltando o edifício para a via pública, localizada a sul, e potencializando a luz natural. Por este motivo, imposto pela estratégia de resolução da implantação do edifício, existe a necessidade de criar um espaço de transição.

A ligação entre o espaço público e o espaço privado é feita de maneira subtil e sucessiva. É demarcada de maneira clara onde começa e acaba, pela presença massiva de um muro verde e um jardim que delimitam a confrontação com a via pública e o desvanecer da treliça cuja sombra penetra os espaços interiores. O espaço de transição é o espaço que regulariza ambas realidades – o projeto flui como um só corpo.

A nível conceptual propõe-se um volume longitudinal, de forma e métrica regular, com dois pisos acima da cota de soleira e cobertura de duas águas.
Torna-se imperativo a ocupação máxima do lote, o recuo da fachada frontal e a localização da piscina, jardim e alpendre na zona sul para melhor aproveitamento solar e ampliação espacial. O interior do edifício é recuado para permitir que a habitação ganhe uma área significativa de relação interior-exterior.

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O edifício é revestido a aglomerado de cortiça expandida, tanto nas fachadas exteriores como na cobertura. Apenas as fachadas adjacentes ao alpendre são revestidas a painéis de madeira natural. As caixilharias e revestimentos interiores também são em madeira. Este é um edifício que se preocupa com a sustentabilidade da construção, integrando um sistema construtivo e respetivos revestimentos com pegada de carbono negativa.

A imagem é definida por elementos estruturais em madeira que marcam um ritmo vertical e permitem quebrar a linguagem longitudinal criada pela proporção entre a largura e o comprimento. Estes elementos verticais destacam a zona central que demarca o ponto de entrada da habitação e o pátio interior descoberto.

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O pátio é um elemento arquitetónico poético, definindo um espaço que é simultaneamente dentro e fora, livre e encerrado, que contempla o céu e a oliveira.
Assim como é a treliça de madeira; que surge enquanto prolongamento da peça arquitetónica e cuja função é criar um momento de transição e proteger da incidência solar.
Define-se para além da sua funcionalidade devido à experiência estética que promove.
O seu desenho é considerado o elemento de personalização e identificação do edifício. É inspirado nos ramos de oliveira, de significado divino, e personifica a simbiose da natureza com a peça arquitetónica.

O acesso principal faz-se desde o muro confinante com a via pública, através de um percurso de acesso pedonal e de viaturas, que nos leva até ao ponto central de entrada ou até à garagem coberta, localizada na parte posterior do volume.
A entrada faz-se numa zona totalmente envidraçada, inclusive na cobertura. A transparência desta compartimentação acontece também através do negativo que dá origem ao pátio interior, marcando um segundo momento de transição interior-exterior.
Nesta zona envidraçada do piso 1 faz-se a separação entre as áreas técnicas a norte e os espaços sociais a sul. No hall de entrada luminoso desenha-se uma escada e um elevador que dão acesso ao piso superior onde se desenvolvem as áreas privadas.

A Casa da Treliça promove a transcendência da arquitetura, optando pela invocação da natureza e pela redução da sua pegada ecológica.